15 de fevereiro de 2019

NA MEMÓRIA DO RÁDIO - Histórias de terror faziam sucesso no rádio brasileiro

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Almirante (à direita) com Pixinguinha. Na era do de ouro do Rádio, o radialista tinha como codinome, "a mais alta patente do Rádio". Arquivo Museu da Museu da Imagem e do Som (MIS)

Nas décadas de 1940 e 1950, o radioteatro seriado fazia sucesso nas emissoras de rádio. Os programas com histórias de terror despontavam como um filão de sucesso. Na Rádio Tupi do Rio de Janeiro, o programa Incrível! Fantástico! Extraordinário!, apresentado pelo radialista Almirante, contava histórias fantásticas de terror e mistério, enviadas pelos ouvintes.

Nessa mesma época, outro programa fazia sucesso pela Rádio Record de São Paulo, o Teatro de Terror.

Na década de 1990, a Rádio Globo São Paulo levou ao ar nas madrugadas, o quadro Você Acredita?, que lembrava o programa "Incrível, Fantástico, Extraordinário”. Eram histórias de suspense, discos voadores e milagres, instigando a imaginação dos ouvintes.

Acompanhe a edição do Na Memória do Rádio sobre os programas de terror no rádio

14 de fevereiro de 2019

As cortinas se fecham e o Brasil se despede de Bibi Ferreira

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Bibi Ferreira no colo dos pais

A atriz e cantora Bibi Ferreira, diva dos musicais brasileiros, morreu na ultima  quarta-feira (13), aos 96 anos, no Rio. Também apresentadora, diretora e compositora, ela foi um dos maiores fenômenos artísticos do país.

No programa Viva Maria, da Rádio Nacional da Amazônia, a radialista Mara Régia prestou uma emocionante homenagem aquela que emprestou o seu nome e sobrenome ao teatro brasileiro. A homenagem começa com as seguinte palavras: "Bibi Ferreira, nunca saberemos qual foi a gota de água que fez a sua respiração parar. Nosso Brasil, afogado em lágrimas, revive o choro e as mágoas que marcaram sua trajetória nos palcos e na vida!"

Rádio Nacional da Amazônia - Viva Maria: Momento de homenagear e dizer adeus à estrela da cultura brasileira, Bibi Ferreira (14.02.2019)
 

"Não quero mais morrer! Nasceu a primavera da minha vida. Ganhei uma filhinha de nome Abigail, a quem chamarei de Bibi. Ela vai cantar, representar e fazer muitas coisas bonitas em um palco", escreveu o ator Procópio Ferreira a um amigo. A profecia não demorou a se realizar. 

Bibi fez sua estréia teatral aos 24 dias de vida. Substituiu no palco uma boneca que desaparecera pouco antes do início da peça "Manhãs de sol", escrita por seu padrinho, Oduvaldo Viana (pai), marido da cantora Abigail Maia. Bibi subiu ao palco no colo de sua madrinha, de quem herdara o nome. 

A menina cresceu para se tornar uma artista de muitos talentos. Canta, dança, atua, toca piano e violino, compõe, dirige atores e apresenta programas de TV. Aos três anos de idade, estreou como dançarina em Santiago do Chile, com sua mãe, a bailarina Aida Izquierdo. A Companhia de Revista Espanhola Velasco viajou a América Latina inteira. De volta ao Brasil, entrou para o Corpo de Baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. 

Aos nove anos, o Colégio Sion, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, negou sua matrícula por ser filha de um ator de teatro. Bibi completou o curso secundário no Colégio Anglo-Americano e aperfeiçoou os estudos de balé em Buenos Aires, Argentina, no prestigiadoTeatro Colón. 

Aos 14 anos compôs sua primeira valsa ao piano. Em 1941, com 18 anos, foi Mirandolina, em La Locandiera, de Goldoni. Cinco anos depois, Bibi fundava sua própria companhia teatral, em que atuaram Cacilda Becker, Maria Della Costa e Henriette Morineau. 
Em sua passagem pela televisão, comandou os programas "Brasil 60", que inaugurou a TV Excelsior, "Brasil 61" (líder de audiência), "Bibi Sempre aos Domingos". Na TV Tupi, "Bibi Especial" e "Bibi ao Vivo", além do "Curso de Alfabetização para Adultos", pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Comunicadora, no Festival Internacional da Cultura em Tóquio. 

Sua atuação foi antológica em "Gota d'Água", de Chico Buarque e Paulo Pontes. Bibi colecionou sucessos com musicais como "My Fair Lady", em cartaz por três anos, "Alô Dolly" e "Piaf, a Vida de uma Estrela da Canção", que ficou quatro anos em cartaz e excursionou por todo o país e exterior. A última apresentação de "Piaf" foi em Portugal, com elenco português.
Ouça entrevista de Bibi Ferreira concedida ao programa "Balancê", da Rádio Excelsior AM - Sistema Globo de Rádio, em 08 de outubro de 1980. Na entrevista ela relata um pouco da sua trajetória e sua participação na história do teatro brasileiro.

8 de novembro de 2018

Morre Raimunda Quebradeira de Cocos, grande liderança feminina do Tocantins

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Porta  voz da luta dos trabalhadores e trabalhadoras rurais da região do Bico do Papagaio, Dona Raimunda conquistou o mundo. Foto: Governo do Tocantins. S/D.


Raimunda Gomes da Silva ou simplesmente Raimunda Quebradeira de Cocos, faleceu aos 78 anos, nesta quarta-feira, 07. Moradora da comunidade Sete Barracas, em São Miguel do Tocantins, no Bico do Papagaio - divisa entre Pará, Tocantins e Maranhão. Porta voz das quebradeiras de coco, dona Raimunda era a síntese das vozes que não se calam diante das injustiças dos poderosos.  Filha de lavradores do sertão maranhense, em suas rugas elas carregava as marcas de uma mulher de luta, mãe de sete filhos, sendo um adotado, casada, descasada, casada novamente, aposentada, despachada.
Xote das Quebradeira, música transformada em um verdadeiro hino das quebradeiras de coco babaçu.  

Ao som do Xote das Quebradeiras, música que ela gravou em um CD em homenagem à Chico Mendes, Dona Raimunda ganhou mundo. Entoou esse hino ao babaçu na Conferência da Mulher na China, em 1995. Lá ela também conquistou um chapéuzinho chinês e pôs-se a fazer repente nos corredores: "Vou-me embora dessa terra/ Que aqui não volto mais/ Que essa terra é longe demais". Mas foi através do rádio, especialmente da Rádio Nacional da Amazônia e dos programas ancorados pela jornalista Mara Régia que ela ganhou o coração das mulheres do Brasil e da Amazônia que, inclusive, fizeram dela uma espécie de consultora sentimental para assuntos ligados à saúde reprodutiva e à sexualidade.

Entre as muitas participações de Dona Raimunda nos programas de Mara Régia, pela Rádio Nacional da Amazônia, segue  gravação de 23  julho de 1999,  antevéspera das comemorações do Dia do Trabalhador Rural. Mara Régia, por telefone, entrevistou Dona Raimunda, que se encontrava em Brasília realizando tratamento de saúde. Ela deixou sua mensagem para os trabalhadores e trabalhadoras rurais e convocou eles para continuarem mobilizados na luta por seus direitos. 

Natural de Curralinho, interior do Maranhão, onde nasceu em 1940, ela veio, com os sete filhos, para Sete Barras, no Tocantins, onde o irmão possuía um pedaço de terra, em 1979. No local, ela encontrou 52 famílias, amedrontadas e ameaçadas por grileiros e assim, com seu canto e sua voz Dona Raimunda começou a denunciar as condições perversas de quem trabalhava com a terra. Antes de vir para o Tocantins,  ela disse “não” ao machismo urbano. Recebia propostas de homens mais velhos, que prometiam casa e conforto caso ela se tornasse sua amante. Sem perder o humor, seguiu na árdua lida diária para dar de comer aos seis filhos pequenos.


Em 1983, um novo padre, Josimo Tavares, chegou a São Miguel e junto com ele, a militância de Raimunda ganhou mais força. Com constantes ameaças de morte direcionada ao padre, que acabou assassinado em 1986, ela começou a ganhar mundo denunciando e atuando na defesa das mulheres e dos direitos dos trabalhadores. Em 1988, participou da criação da Federação dos Trabalhadores Rurais do Tocantins. Começou também a militar pelos direitos das quebradeiras de coco babaçu.  Com algumas companheiras, Raimunda organizou, em 1992, a Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (ASMUBIP). Começaram a promover encontros para discutir direitos – primeiro nos municípios mais próximos e, em seguida, nos estados vizinhos. Participaram, então, da fundação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), que atinge os estados do Tocantins, Maranhão, Pará e Piauí. 


Pela sua atuação, recebeu muitas ameaças de morte e enfrentou policiais, fazendeiros e políticos na briga por terra. Ajudou a criar a Secretaria da Mulher Extrativista do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), da qual foi titular por dez anos. Mas o reconhecimento só viria anos mais tarde, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Tocantins e prêmios como o Diploma Mulher-Cidadã Guilhermina Ribeira da Silva (Assembleia Legislativa do Tocantins) e o Diploma Bertha Lutz (Senado Federal).


No início da noite desta quarta-feira, 07, enfrentando a diabetes e quase cega, o último desejo de Dona Raimunda se cumpriu: “Eu não quero morrer matada, quero morrer na cama”. Que a ausência física de Dona Raimunda se transforme em inspiração de valentia, força e luta por um país mais justo, para os trabalhadores e trabalhadoras rurais. O céu está mais feminino, e Dona Raimunda, certamente, foi recebida por suas companheiras e companheiros, como o seu fiel amigo Pe. Josimo Tavares.


 

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