29 de maio de 2013

Rádio Nacional de Brasília 55 anos, vinheta revisitada e música tema das comemorações

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Autoridades presentes na inauguração da Rádio Nacional de Brasília, 31 de maio de 1958. Foto: Mário Fontenelle. Acervo Público do Distrito Federal.
     

     O jingle "Minha Voz" gravado em 1976 para Rádio Nacional de Brasília AM ganha nova versão nas comemorações de 55 anos da emissora. 

 
    Mariane Oliveira, a Mariana Ideoli, administradora da Rádio
Nacional AM e  cantora, e o músico brasiliense Alysson Takaki regravaram a
vinheta com arranjos feitos em pianos por Flávia T-girl.
 
     Em entrevista ao programa  Viva Maria, conduzido pela jornalista
Mara Régia di Perna, Mariana Ideoli falou da emoção de regravar o jingle que foi adotado como tema das comemorações de 55 anos.

Rádio Nacional de Brasília AM - Viva Maria (27/05/2013)
    A primeira versão do jingle gravado em 1976 contava com arranjos de Hermeto Pascoal, compositor arranjador e multi-instrumentista brasileiro e intercalando a música a voz marcante  do locutor Clemente Drago de Oliveira.
    Confira a seguir a versão do jingle Minha Voz Canta Esperança gravada originalmente em  1976 e a versão de 2013. 
Rádio Nacional de Brasília- Minha Voz Canta Esperança (197 Rádio Nacional de Brasília- Minha Voz Canta Esperança (2013)
   Confira a música comemorativa dos 55 anos da Rádio Nacional de Brasília AM. Música composta por Ricardo Villa e interpretada Alysson Takaki, Mariane Oliveira, Nilson Lima, Letícia Fialho e Sheila Mi. Participações especial dos músicos Fernando Corbal, no violão; Marcos Farias, no acordeão, Paulo Fagundes, na harmônica; Hamilton Pinheiro, no baixo; e Carlos Pinheiro, na percussão.
Rádio Nacional de Brasília AM - Música comemorativa dos 55 anos.

Há 20 anos, a Rádio Nacional da Amazônia se tornava pioneira nas discussões das questões ambientais

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Mara nos estúdios da Rádio Nacional , 1982.
     Pouco tempo depois de sua primeira década, a Rádio Nacional da Amazônia se torna pioneira nas discussões das questões ambientais. Nos anos 90 a emissora coloca no ar o programa Natureza Viva, que em 1992 foi reformulado pelo jornalista Paulo Lyra, numa tentativa de traduzir o conceito de sustentabilidade, difundido durante a Rio 92. Graças a uma parceria entre o Fundo Mundial para a Natureza (WWF- Brasil) e o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), em 29 de maio de 1993, a então Radiobrás, hoje EBC – Empresa Brasil de Comunicação, dá início a transmissão semanal do Natureza Viva, em nova fase e horário.
   Marina Silva, ambientalista engajada, pedagoga e política brasileira, quando Ministra do Meio Ambiente teve oportunidade de falar sobre a importância do Natureza Viva como um programa que
ousou traduzir para os ribeirinhos da Amazônia temas como conservação e desenvolvimento sustentável, em uma época em que a maior parte da população ainda não entendia o que isso significava. “Já tive a oportunidade de participar muitas vezes do programa Natureza Viva. Ele alcança várias populações de seringueiros, índios, ribeirinhos, pescadores, quebradeiras de coco, dentre outros”.
   Marina Silva, conclui seu depoimento ressaltando a grande contribuição do programa na luta cotidiana frente aos problemas e desafios ambientais. “Dar voz às pessoas para que expressem seu cotidiano do ponto de vista social e cultural. Essa é uma grande contribuição e também uma inovação. É fazer rádio para diferentes segmentos que têm um conhecimento vivencial muito grande, mas não têm espaço para ver esse seu conhecimento ser expresso no todo social. O Natureza Viva ganha por tirar do mais particular, do local, aonde as coisas são mais densas, e devolver para a sociedade. Só se expande aquilo que tem densidade.” 

O projeto 

   Concebido para durar apenas três anos, Natureza Viva consolidou-se como um canal de expressão para as lideranças amazônidas e é uma referência na promoção da educação ambiental. Os ouvintes que se comunicam com o programa através de cartas dão prova disso. É o caso da carta desabafo de Quinto Emílio D. de Souza, de Xique-Xique (BA) que usou de lápis e papel para protestar contra a poluição dos rios : “Isso é um absurdo. Recomendam que a população ferva a água para o consumo, ou coloque umas gotas de água sanitária na água para o consumo e permitem jogar lixo e água servida,sic, sem nenhum tratamento, nos lençóis dágua...Os rios do nosso país estão se transformando em verdadeiras fossas ambulantes!”
     Ao longo de seus quase 20 anos, o programa passou por várias fases, mas sempre manteve o formato de revista radiofônica. Inicialmente, ele foi ancorado pela dupla Ida Pietricovsky e Carlos Moreira. Nesse mesmo período, com o apoio do UNIFEM, hoje ONU MULHERES, a jornalista Mara Régia Di Perna, era responsável pelo Natureza Mulher, um quadro dentro do Natureza Viva voltado para a questão de gênero e meio ambiente.
    Concluída essa primeira fase, em 1995 o comando do programa passa a ser dividido por Mara e a radialista Rejane Limaverde. Daí pra frente à experiência se amplia com várias viagens de campo às
comunidades. Oficinas de comunicação também começam a ser sistematizadas para ouso do rádio no combate às queimadas e incêndios florestais na Amazônia.
     Natureza Viva começa a ser reconhecido e premiado. Prêmio Towards 2000, setembro de1995; Prêmio Embrapa de Reportagem , novembro de 1995; Troféu Gaia,1996. Em junho desse mesmo ano, quando Natureza Viva comemora o ciclo virtuoso de suas premiações, o presidente da Radiobrás, Maurílio Ferreira, assina a ampliação do contrato de parceria com o Ministro do Meio Ambiente Gustavo Krause, garantindo assim a permanência do programa no ar, diariamente das 7:30 às 8h. A assinatura do contrato foi destaque na Voz do Brasil.
Matéria sobre a nova fase do Natureza Viva, assinada por Patricia Novaes, e veiculada na Voz do Brasil (24.06.1996)
     Em 1997, Mara Régia é selecionada pelo concurso de bolsas de estudos e pesquisas da Fundação Mac Arthur com o projeto Mulher nas ondas do rádio, corpo e alma rompem o silêncio. Com base nas cartas da audiência do programa, o projeto se dispôs a potencializar o uso do rádio no trato da saúde da mulher e direitos reprodutivos.
Mara Régia em companhia das Mulheres da 

Floresta, Pará, 1977.
 “Olhe, amiga, estou desesperada. Por favor, me ajude. Tenho 52 anos. Tem um tal de corrimento e uma coceira que me perturba muito. Estou tomando remédio caseiro: alho com sumo de mastruz de folha grossa e malva do reino. Mas mesmo assim quando tenho relação, meu marido diz que estou fedendo! Com isto estou de mão na cabeça. Outra coisa, agora estou sentindo uma dor no fundo da virilha. Gostaria que mostrasse essa carta para uma doutora”. (Rosa Vermelha de algum lugar da Amazônia).     Cartas como essa sempre despertam a solidariedade da audiência do programa que compartilha sofrimento com palavras de força e esperança. Sobre o caso de Rosa Vermelha, Maria Amélia do Nascimento de Carvalho, de Curionópolis – (PA) escreveu: “...fiquei com muita pena daquela amiga que lhe escreveu... Quero dizer a ela que não se desespere.”
    Durante os três anos do Projeto Mulher nas ondas.... Mara visitou várias comunidades extrativistas nos limites da Amazônia Legal com oficinas de comunicação e saúde reprodutiva.
    Em busca de uma melhor compreensão sobre o funcionamento da geografia do feminino, Mara se utilizava do abacate e da goiaba para a representação do útero e dos ovários. O trabalho final desse projeto culminou com a radionovela “A vida pede passagem, uma história de luz” feita a quatro mãos por Mara e a ginecologista obstetra Lívia Martins que acompanhou Mara em muitas oficinas. A participação das parteiras tradicionais do Amapá também foi decisiva na concepção da radionovela. As indígenas do Oiapoque, por exemplo, com seu canto gravado nos estúdios da Rádio Difusora de Macapá, transformaram os microfones da RDM em berço para história vivida pelo casal grávido, a Sônia e o Carlos, as amigas, Vera e Gilda , o machista, Carranca, e a parteira Ziquinha. Quem relata a importância da produção é um dos ouvintes, Marcos Antonio Tolentino, de Espinosa (MG): “Estimada Mara, gostei muito da rádio-novela “A Vida pede passagem”. Esta novela ressaltou a importância de a mulher fazer o pré-natal e de optar pelo parto natural”.
Trecho da radionovela "A vida pede passagem, uma história", gravada em dezembro de 1999, nos estúdios da Rádio Difusora de Macapá. 
    Natureza Viva/ Natureza Mulher sempre foi um aliado na luta pela humanização do parto. Durante o desenvolvimento do Projeto Mulher nas ondas…. Mara encaminhou 150 cartas-denúncia à CPI da Mortalidade Materna instalada na Câmara dos Deputados no ano 2000. O dossiê consta dos anais da instituição.
Mulher nas ondas do rádio, corpo e alma rompem o silêncio
     O fotógrafo Pedro Martinelli e o documentarista Gavin Andrews registraram a experiência. As fotos de Pedro são propriedade da Fundação e o documentário de Gavin “Somos parteiras”, lançado no II Encontro Internacional das Parteiras Tradicionais do Amapá, maio 2012, pode ser visto em: http://vimeo.com/42920215
    Na trilha do sucesso dessas iniciativas Natureza Viva foi Finalista Prêmio Ibero-americano, Unicef 1999; Finalista Prêmio Ayrton Senna, março de 2000 e 2001; Prêmio Cidadania, julho de 2002 e 2003.
    Em sintonia com o trabalho desenvolvido como bolsista, Mara também amplia uma rede de repórteres Maritacas e Beija-Flores ligada ao programa na defesa da floresta e no trato das questões de gênero.
      Iracema Freitas Silva, de Conceição do Araguaia, (PA), em uma de suas cartas escreveu: “Sabemos que os seus programas têm contribuído de modo geral com muitas informações sobre saúde, educação e direitos das mulheres na nossa região. Nas reuniões de mulheres, elas sempre discutem a respeito do seu programa. Por isso, estamos solicitando a sua contribuição no sentido de divulgar o trabalho da Secretaria de Mulheres, realizado nas diversas regiões do nosso município.”
     A parceria de Rejane Limaverde e Mara Régia encerra-se em 1997. Desde então Mara Régia fica só nos comando dos microfones do Natureza Viva , acompanhada apenas por Maria Bella, personagem infantil, interpretada pela própria Mara no quadro Natureza Criança. Belinha nasceu muito antes da criação do Natureza Viva, quando Mara Régia era apenas produtora de alguns programas da Nacional da Amazônia, como o Clube o Ouvinte. A personagem nasceu na radionovela infanto-juvenil, História do Dito Gaioleiro, adaptada por Heleninha Bortone do livro “O Fazedor de Gaiolas”, de Jennart Moutinho Ribeiro, e veiculada pela Rádio Nacional da Amazônia, em janeiro de 1980. Na radionovela Mara interpretava a personagem Estelinha, que entre os amigos era chamada de Belinha.
     Maria Bela por mais de mais de 10 anos, de maneira lúdica, fazia educação ambiental com as crianças da Amazônia. Em 26 de junho de 2008 Belinha saiu do ar porque perdeu sua idealizadora, a radialista Heleninha Bortone. O luto transformou-se em homenagem póstuma.
Natureza Viva nas universidades
    Da mesma forma que as “Cartas da Amazônia” ajudaram Mara Régia a formatar o projeto “Mulher nas ondas do Rádio – corpo e alma rompem o silêncio”, Natureza Viva tem ajudado inúmeros trabalhos acadêmicos nas universidades da Amazônia Legal. Várias teses foram publicadas sobre a presença do Natureza Viva nos seringais. Principalmente no Acre onde desde o ano 2000 o programa é retransmitido pela Voz das Selvas, como é popularmente conhecida a Rádio Difusora Acreana.
   Em 1998, quando a Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) realizou a primeira pesquisa de audiência na área rural da região amazônica, o sucesso do Natureza Viva se traduziu em números. Todos os líderes rurais entrevistados conheciam o programa e 76, 7% deles afirmaram já ter adotado, na prática, pelo menos um conceito ou a informação difundidos pelo Natureza Viva.
Descontinuidade
   Apesar da importância cada vez maior dada às questões ambientais, do sucesso do Natureza Viva, evidenciado na pesquisa da Unimep e da audiência, em meados do ano 2000, o governo de Fernando Henrique Cardoso decide interromper a trajetória do programa com a suspensão do contrato de parceria entre o WWF Brasil e GTA – Grupo de Trabalho Amazônico. Dessa forma, Natureza Viva sai da grade de programação da Rádio Nacional da Amazônia e passa a ser transmitido pela Rádio Difusora Acreana com o apoio do governo do Acre, por meio da Fundação Elias Mansour. Nessa fase, Natureza Viva passa a ser um programa regional, veiculado aos domingos das 5 às 6 horas (horário local), pelo Sistema Difusora de Comunicação, que alcança os municípios de Xapuri, Rio Branco, Sena Madureira, Feijó, Cruzeiro do Sul e Epitaciolândia. Natureza Viva consegue ampliar seu espaço também em rádios comunitárias como Rádio Gameleira FM, do segundo Distrito de Rio Branco.
    Em 14 de setembro de 2003, já no Governo Lula, o programa retorna à programação da Rádio Nacional da Amazônia com transmissão para toda a Amazônia Legal. Em festa, a audiência comemora : “Ouço o Natureza Viva todos os dias. Adoro tua risada, a gente ri também, não dá para aguentar... Quero lhe agradecer de todo o coração, pois através do Natureza Viva consegui me curar com a receita de alho, esse é o trecho de uma das cartas enviadas por Bernadete Duarte Basílio, de Nova Brasilânda D’Oeste (RO).
Rádio Nacional da Amazônia - Natureza Viva (14.09.2003)
       No retorno do Natureza Viva a grade de programação da Rádio Nacional da Amazônia, a ouvinte Maria Albuquerque Muniz, de Tucumã (PA) falou da sua paixão pelo programa: “[...] o Rádio lá para a minha região é igual uma sombra, para onde a gente vai carrega. Para roça, é na cabeça dos tocos, que o pessoal leva o radinho e bota lá e fica ouvindo a equipe Nacional, por que merece, sic. No dia que eu estou em casa é o dia todo. Mara, eu vou lavar roupa, eu levo o meu radinho, dou banho nos locutor da Rádio Nacional, porque cai da taba no igarapé. Dou banho na Mara Régia, dava banho na Tia Heleninha”.
      Já Maria de Lourdes Lanes, de Brasiléia (AC) escreveu: “...É que eu estou tão longe! Eu nem sei quantos dias gastam para uma carta chegar aí”. E assim os ouvintes vão dando a dimensão da realidade em que vive, e evidencia a importância de um programa que fale a sua voz.         A volta do programa à Nacional da Amazônia foi comemorada também com o lançamento de um CD com depoimentos de ouvintes e personalidades, como o da Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o jornalista Washignton Novaes, a líder comunitária Raimunda dos Cocos, de São Miguel do Tocantins, entre outros. O encarte do CD tem ilustrações das cartas feitas pela vovó Maria Almeida Portal, ouvinte de São Domingos do Capim (PA), que ao longo da trajetória do programa tem escrito centenas de carta para a produção do Natureza Viva.      Quando o programa voltou para a Rádio Nacional da Amazônia Mara estava engajada no projeto “Proteger – II”, do GTA- Grupo de Trabalho Amazônico. O Proteger II tinha sob sua responsabilidade a execução de 18 laboratórios de rádio em 07 estados da Amazônia Legal com o objetivo de combater as queimadas e dar visibilidade às experiências sem uso do fogo na região Norte. O projeto fez do Natureza Viva matriz para a produção de vários programas voltados para a proteção da natureza, e assim ampliar ainda mais a rede de comunicadores populares, chamados de Maritacas e beija-flores.    Em reconhecimento a todo esse trabalho na articulação e mobilização das mulheres amazônidas e por sua atuação contra as desigualdades de gênero através do rádio no Natureza Viva / Natureza Mulher, em 2004 Mara Régia foi indicada ao prêmio Cláudia , categoria Trabalho Social.      A audiência, mais uma vez, comemorou, José Maria da Silva Araújo, de Medicilândia (Pa) escreveu : “Você está de parabéns por este fantástico programa, que nos ajuda muito com informações importantíssimas para todas as mulheres, enfim para todos nós. Mara, eu trabalho como Agente Comunitário de Saúde, na Comunidade Sagrada Família. Trabalho com 50 famílias, pesando as crianças, orientando as famílias. Todos os meses nós se reúne para fazermos a multimistura. Com o seu programa e suas informações aprendemos cada vez mais”.        O trabalho de Mara Régia voltado para as questões de gênero e meio ambiente contribuiu para que 2005 fosse um ano especial na vida da jornalista. Acompanhada por 52 renomadas brasileiras Mara foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz, pelo projeto 1000 Mulheres pela Paz. Nesse mesmo ano, Mara Régia é classificada em terceiro lugar no prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente.      Na edição seguinte do prêmio, Mara volta a ser indicada ao prêmio. Na ocasião a jornalista, escritora e documentarista Eliane Brum em uma carta poesia, que levou o nome de Carta da Floresta, assim apresentou Mara: “Mara Régia Di Perna é do tipo que a lenda chega antes, muitas curvas de rios, igarapés, cachoeiras, corredeiras antes. Aconteceu comigo. E acontece com cada repórter, autoridade ou viajante que bota o pé na Amazônia. A nossa cara, o jeito, as roupas, denunciam que viemos do Brasil de longe. E naquelas lonjuras, eles detectam não um rosto, mas uma voz. No ritual de aproximação, em que o visitante e o visitado tentam achar um ponto de ligação, algo que nos torne do mesmo país, que una nossas diferenças, Mara Régia aparece” (Leia a integra da carta). Mara fica em primeiro lugar na categoria Arte e Cultura. O prêmio concedido pelo Ministério do Meio Ambiente  é uma forma de valorizar projetos que contribuem para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.        Para Mara Régia essa premiação é uma espécie de 2a. certidão de nascimento. É como se ela tivesse nascido de novo na AMAZÔNIA, seu território de amor e de luta em prol dos povos da floresta! Natureza Viva! Viva a Rádio Nacional da Amazônia, berço das mais profundas experiências humanas e radiofônicas!

28 de maio de 2013

Rádio Nacional de Brasília 55 anos, programa Viva Maria

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A segmentação da programação da Rádio Nacional de Brasília 


No final da década de 1970 e inicio dos anos de 1980, ainda sob o regime de exceção a programação da Rádio Nacional de Brasília passa por um processo de segmentação, o entretenimento baseado nos concursos de calouros, grandes shows e programas de auditório aos poucos vão sendo  deixados de lado. A programação  musical se torna plural abrangendo desde a música sertaneja ao rock´n roll que emergia na capital federal.

Com o objetivo de atender diferentes públicos e as diferentes camadas da sociedade surge os programas Grande Parada Nacional, Geração Colorida, Encontro com a Tia Heleninha e o Viva Maria. 

A Estreia do Viva Maria


A apresentadora Mara Régia em seu ambiente preferido: os estúdios da Rádio
       O programa Viva Maria, entrou no ar em 14 de setembro de 1981, após dois comentaristas esportivos terem brigado no ar e serem demitidos. 
    Mara Régia di Perna começou sua  Rádio Nacional de Amazônia, como produtora, em 1979, ao voltar da licença maternidade em 1981 foi convidada pelo gerente da Rádio Nacional de Brasília, Eduardo Fajardo (foto abaixo), para ocupar o horário das 15 ás 17 horas. 
    Mara não teve dúvida queria falar com as mulheres. A música “Maria, Maria”, composição de Fernando Brant e Milton Nascimento, desde o início marcou a trilha sonora do programa e
se tornou símbolo das lutas femininas pelo rádio. O nome Viva Maria nasceu depois de uma conversa da locutora Mara Régia com a primeira produtora do programa, Antonieta Negrão, inspirado no balé Maria, Maria que estava sendo apresentado em Brasília, pelo Grupo Corpo, de Belo Horizonte.
Eduardo Fajardo, ex diretor da Rádio Nacional de Brasília
    O perfil da atração era mais a menos, mas não demorou muito para que Mara começasse a imprimir seu estilo ao falar para o público do campo e da cidade, levando noções de emancipação e sensibilização para a causa feminina.
   Prova da importância do programa para as mulheres está no depoimento de Maria Almeida de 1987, em entrevista concedida, á Deográcia Pinto, na época estreante na profissão de repórter Maria Almeida conta que sentia vergonha do nome antes do Viva Maria.
Depoimento da ouvinte Maria Almeida (08.03.1987)                              O Viva    Maria teve momentos de luta ao abrir o microfone para os movimentos de mulheres que se fortaleceram com a criação do Fórum de Mulheres do Distrito Federal. Ainda durante a “ressaca” do regime militar, durante o período de redemocratização o Viva Maria encampou lutas, como pela criação da primeira delegacia de Atendimento da Mulher da capital federal, desencadeada pelo Caso Taís, estudante morta a facadas no Campus da Universidade de Brasília, em 1987, e cujo namorado Marcelo Bauer foi apontado como principal suspeito. Essa fase do programa foi recordada pela radialista no ultimo dia 02 de julho, ao conversar com a ouvinte Joana de Jesus Oliveira (a Jô), de Brasília.
Mara Régia e a ouvinte Jona de Oliveira recordam o caso Taís no Viva Maria (02.07.2011)
Das lutas a censura no governo Collor
    O programa fez campanha por amamentação, pela infância e juventude e fez o Lobby do Batom na Constituinte de 1988. Mesmo admirada por muitos Mara não conseguia agradar a todos, como os maridos que se revoltavam com as idéias da radialista e chegavam a fazer fila na porta da Rádio Nacional. Em maio de 1990, o primeiro presidente eleito pelo voto direto, Fernando Collor de Mello identifica Mara como uma “liderança negativa” e através de um telegrama a demite e proíbe a radialista de entrar na emissora, até então uma emissora estatal.
Mara Régia, em suas andanças pela Amazônia
     Em protesto a decisão de Collor, as mulheres latinas elegem o 14 de setembro, data de estréia do programa, como o dia da imagem da mulher nos meios de comunicação. Com o fim das transmissões pela Rádio Nacional de Brasília, Mara levou o programa para Rádio Capital, onde ficou de 1992 a 1994.
     O fim das transmissões do Viva Maria também repercute nas galerias do Congresso Nacional. A deputada constituinte, Moema São Thiago (PSD-CE), no Dia da Liberdade de Expressão (13/6/1990) presta homenagem ao programa, em seu discurso reproduz um artigo escrito por Tetê Catalão que havia sido publicado no Correio Braziliense de 29 de maio de 1990.
Sr. Presidente, Sr" e Srs. Deputados, hoje, Dia Internacional da Livre Expressão, venho à tribuna não só para prestar minha homenagem aos que labutam nos meios de comunicação, como para denunciar o afastamento da radialista, amiga e lutadora feminista, Mara Régia di Perna, após 9 anos de luta à frente de "Viva Maria", na Nacional. E o faço através de belíssimo artigo escrito por Tetê Catalão, sob o título "Viva Marias", no qual, com imensa e justa revolta, segura seu grito para que as palavras escritas reproduzam com fidelidade e sensibilidade - tão típicas à Mara - a emoção comum, principalmente às mulheres de todos os estratos, em uma sociedade carente de justiça social. Eis o texto, publicado em periódico desta Capital, no dia 29 de maio:"Ave Marias Saudações! Cheia de graça, uma voz perde o microfone, mas não perde a frequência. Bendita és tu, por seres mulher. Entre todas as mulheres será sempre bendita aquela que não cala. Bendita será bem vinda! No ar, como arma suave de quem não usa a força, mas está sempre diante da brutalidade. Outras interrupções já foram sentidas. Outros impedimentos já foram decretados. Mas a cidade tem uma alma de erva teimosa que acha um buraco na couraça e brota. Viver Marias é mais fundo do que sobreviver arrogante, na eventualidade dos cargos. A mulher tem a concepção do sêmen.A mulher tem todas as aberturas do milagre para transmitir: ela recebe em sua sabedoria passiva e cria em condição permanente de nutriz. Em Mara, um grito poderia ser um' sussurro contra os muros. Um toque delicado poderia virar berro indignado com tanta hipocrisia. O rádio que nos irradiava. O dia sem poente. A vontade besta de servir nesta conspiração de cargos e "pequenos reinados", apodrecidos pela própria incompetência. O que será esta poda? Toda a vez que um trabalho ameaça realizar a força viva da cidade vem um tombo?Nossa indigência cultural chama-se descontinuidade. Chama-se interromper para dispersar. Mas não sabem, eles, que nossa raiz está lúcida na placenta do planeta. Está úmida de gozo para a prenha. Teimar e tentar.Condenados que somos a um eterno recomeçar.Mas o fruto amadurece, sob a falsa imagem da derrota. Por não terem rotas, nem programas, nem futuros brilhantes - apenas somos, como Mara. Candangos do sistema nervoso desta cidade.Não a cidade sitiada nem leiloada por vendilhões no templo, mas a cidade arca, arquétipo, luxo do espírito que um dia dirá: basta! Hoje é o dia dos anjos!Por isso, não choremos o breu. Temos brio. Um beijo, Mara.E Ave Marias, cheias de graça." À Mara mulher, mãe, feminina, amiga, batalhadora eficiente e profissional competente, meu irrestrito apoio, contra a violência praticada.Hoje, Dia Internacional da Livre Expressão, por seu intermédio, minha manifestação a todas as Marias, que tanto padecem os efeitos de injustiças pessoais e desinteresse geral.A voz de Mara jamais poderá ser calada, ainda que lhe seja fechado provisoriamente o espaço radiofônico. As vozes das muitas Marias, que a procuravam, continuarão à intercomunicar-se: mulher agredida versus delegada feminista; mãe em luto, perda de filho ou marido, versus psicóloga; comerciária despedida versus advogada trabalhista; jovem solitária versus desconhecida solidária. Seu coração sofria, junto com o padecimento da amiga ou interlocutora nunca vista, sem qualquer discriminação de raça, sexo, partido político, condição socioeconômica ou capacitação intelectual.Profundamente chocada com seu afastamento da Rádio Nacional, junto minha voz e comoção às de todas as demais Marias mulheres, esposas, mães ou não, em particular no exercício do mandato para o qual fui eleita Deputada Federal, como nordestina. (MOEMA SÃO THIAGO (PSDB- CE, 13 de junho 1990).
   Após a passagem pela Rádio Capital, por quase uma década o programa Viva Maria ficou silenciado, mas não a consciência de Mara Régia que continuou engajada nos movimentos feministas. Fez Rádio de rua e em 1993 passou a produzir o quadro Natureza Mulher dentro do programa Natureza Viva.
Nova fase do programa
       Em 15 de julho de 2004, o Viva Maria voltou a ser apresentado na forma de programete, ou seja, com curta duração. Vai ao ar de segunda a sexta-feira, em diferentes horários, pela Rádio Nacional da Amazônia, pela Rádio Nacional de Brasília, pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, pela Rádio Nacional do Alto Solimões.
 O programa também está disponível na internet,em radioagencianacional.ebc.com.br/assunto/viva-maria, podendo ser ouvido em qualquer momento e até mesmo ser retransmitido por emissoras de todo o país.  Um dos momentos mais marcantes vivido pelo programa nessa nova fase foi o anuncio da criação da Lei Maria da Penha. Nesse contexto, o Viva Maria passou a ser um canal de conscientização das mulheres para fazer valer a lei 1.340 decretada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva em 7 de agosto de 2006. É o que atesta o depoimento das ouvintes que diariamente chegam à produção do programa.

Em 09 de outubro de 2009, nas vésperas das comemorações do Dia Nacional Contra a Violência Mulher, Mara Régia conversou com Maria da Penha, a mulher que inspirou a criação da lei 11.340, de enfrentamento da violência contra a mulher. 
 

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