Era 31 de maio de 1958, quando o
presidente Juscelino Kubitschek subiu em um palanque, para proferir o seu discurso
de
inauguração da Rádio Nacional de Brasília em um barracão improvisado na quadra 107 Sul. Os candangos que trabalhavam na construção da
Capital Federal deram uma pausa nas obras para ouvir o presidente e
participarem da festa.
Das vertentes amazônicas às coxilhas gaúchas, e dos contrafortes andinos ao litoral atlântico, Brasília fará ouvir a sua voz, a partir deste momento, graças aos possantes transmissores da Rádio Nacional, que ora inauguramos. Milhões de lares disseminados nos recônditos recessos do nosso território participarão, assim, de ora em diante, da presença física e da convivência de Brasília, e reconhecerão a fisionomia familiar desta metrópole. Na mensagem diária da tenacidade e do arrôjo dos que estão travando esta grande batalha patriótica no Planalto Central, brasileiros de todos os quadrantes recolherão o eco das emissões cotidianas da Rádio Nacional de Brasília, como um apêlo ao seu patriotismo e ao seu entusiasmo cívico. (Juscelino Kubitschek, 31/05/1968)
Após o discurso, no final da
tarde, a festa continuou com um show com cantores como Dóris Monteiro, Lana
Bittencourt, essa havia emplacado a música Little Darlin, Ângela Maria, Altemar
Dutra, Nelson Gonçalves, Grande Otelo, Pixinguinha, João Dias, Cauby Peixoto,
Carlos Galhardo e os apresentadores da Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
Quando a Rádio Nacional foi inaugurada, Brasília ainda era um imenso canteiro de obras, e através dela JK esperava prestar contas da construção da cidade, muito criticada na época. Além de divulgara a construção da capital a primeira emissora a falar de Brasília para o Brasil estabelecia o contato das pessoas que tinham ido participar da concretização do projeto de Lucio Costa e Oscar Niemeyer com os seus familiares que haviam ficado em diferentes regiões do país, em especial no Nordeste. Um dos locutores da emissora na época, Clementino Luz, escrevia e lia as cartas dos candangos.
Quando a Rádio Nacional foi inaugurada, Brasília ainda era um imenso canteiro de obras, e através dela JK esperava prestar contas da construção da cidade, muito criticada na época. Além de divulgara a construção da capital a primeira emissora a falar de Brasília para o Brasil estabelecia o contato das pessoas que tinham ido participar da concretização do projeto de Lucio Costa e Oscar Niemeyer com os seus familiares que haviam ficado em diferentes regiões do país, em especial no Nordeste. Um dos locutores da emissora na época, Clementino Luz, escrevia e lia as cartas dos candangos.
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| Caminhão leva candangos para canteiros de obras de Brasília. Foto: Mário Fontenelle/Arquivo Museu Vivo da Memória Candanga |
A vida cultural e o lazer dos candangos eram os
auto-falantes na Cidade Livre, que funcionava com o que levava o nome de a Voz de Brasília, uma reminiscência ao programa Voz do Brasil.
Anunciavam a chegada dos candangos para trabalhar nas obras e a vagas
disponíveis nas diferentes setores da construção da nova capital. Além dos auto-falantes existia os circos do coronel Jorginho
Suaid, do Sabuginho, do Cacareco e do Dino Santana. Com a Rádio Nacional, Brasília
passou a ouvir e falar para o Brasil.
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| Capa do Jornal Diário da Noite |
A Rádio Nacional de Brasília já começou com o
desafio de transmitir a Copa do Mundo de 1958, dentre os locutores que
transmitiram a copa estava Oswaldo Moreira. Enquanto na Suécia a seleção conquistava
o primeiro título mundial, com Garrincha, Vavá, Pelé e Zagalo, em Brasília e em
boa parte do interior do país os brasileiros estavam sintonizados na emissora.
Dentre os ouvintes estava o presidente Juscelino Kubitschek que ajudava a fazer
a audiência.
Outro
nome que trabalhou na Rádio Nacional logo no inicio foi o médico Edson Porto, que chegou em Brasília em 1956 e em 1958 fez
parte da orquestra da emissora, tocando violino e bandolim, e apresentou
um programa com dicas sobre saúde e alimentação.
Em
1959 a programação da Nacional estava estruturada em transmissões de noticias
sobre a construção de Brasília, programação musical, radioteatro e prestação de
serviço. Nesse ano estreou o Programa do Meira, apresentado por Meira Filho,
durante 15 anos o programa foi sucesso no horário das 5h da madrugada e às 9h
da manhã. O Programa do Meira se destacava na prestação de serviço para os
candangos e as famílias que havia ficado em sua terra natal. Meira chegou em Brasília convidado por Juscelino Kubitschek para conhecer a contrução da nova capital e ficou, e ainda se firmou como um dos maiores nomes da radiofonia brasiliense.
Em
1960, com a inauguração de Brasília, a Rádio Nacional começou a
funcionar no prédio da 701 Sul, no Setor de Rádio e TV e passa a formar rede
com a Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
Em 1961 Mascarenhas de Moraes é contratado pela Rádio
Nacional para ocupar o cargo de operador, antes já havia passado pelos
programas da emissora como calouro dos programas de auditório que na época
faziam sucesso. Mascarenhas passa por todas departamento artístico da Rádio Nacional
e se torna locutor. De Meira Filho recebeu o codinome de embaixador de Goiás,
estado onde nasceu.
O palco da Nacional também revelou talentos
candangos. Assim como a Rádio Nacional do Rio, a emissora tinha um elenco
contratado, para apresentações musicais e radionovelas. Os primeiros cantores
contratados foram Glória Maria e Fernando Lopes.
Já nos primeiros anos, a Rádio Nacional teve que
enfrentar o desafio de fazer jornalismo público em tempo de governo militar.
Ainda em 1961, a emissora chegou a fazer parte da rede da legalidade,
transmitindo discursos do então governador do Rio Grande do Sul, Leonel
Brizola, em favor de João Goulart. Nessa época estava integrado a emissora o
locutor Clemente Drago, uma das vozes mais marcantes do rádio brasileiro.
Ouça a jingle "Minha Voz" gravada por Clemente Drago, o jingle traduz o sentimento da Rádio Nacional de Brasília com os ouvintes.
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| Apresentador da Rádio Nacional de Brasília (AM), Gilvan Chaves, em show promovido pela Rádio Nacional de Brasília (AM), em 1982, no Estádio Serejão |
Com música e informação, o cantor e apresentador Gilvan
Chaves fez parte da equipe que inovou a Rádio Nacional de Brasília na década de 60. O Eu de cá, Você de lá, um dos programas
apresentados por Gilvan Chaves, continua no ar. Agora é apresentador pelo
locutor Luiz Alberto.
Ouça a chamada do Programa Especial apresentado por Gilvan Chaves na Rádio Nacional no final das manhãs de domingo, nos anos 70. Na edição em destaque a voz de Nelson Gonçalves que participaria do programa.
Em 1974 , com inauguração do Parque do
Rodeador, a Rádio Nacional passa a transmitir
sua programação com 600 kw de potência e pode ser sintonizada à noite em todo o
Brasil.
Nas décadas de 70 e 80, o Parada
Nacional foi um programa famoso. Apresentado por Edson Vitorino o Parada
Nacional trazia para os ouvintes de Brasília músicas de todo o Brasil. Com
correspondentes na maior parte dos estados brasileiros, eles indicavam o que
estava fazendo sucesso no que tange ao cenário musical da época.
Ouça a vinheta de abertura do programa Parada Nacional veiculada na Rádio Nacional de Brasília nos anos 80.
Em 1981 a Rádio Nacional de Brasília colocou no
ar o programa Viva Maria, apresentado desde o início pela radialista Mara Régia
de Perna. O programa é considerado pioneiro nas discussões de gênero no Brasil,
no período a Constituinte de 1988, o programa esteve amplamente integrado ao
movimento de mulheres no Congresso Nacional. No ar à 30 anos, o programa Viva
Maria virou programete e é espaço fundamental na defesa dos direitos da
mulheres.
Conheça a trajetória do programa Viva Maria através da leitura do artigo Viva Maria - o pionerismo nas discussões de gênero e o resgate das conquistas das mulheres.
Conheça a trajetória do programa Viva Maria através da leitura do artigo Viva Maria - o pionerismo nas discussões de gênero e o resgate das conquistas das mulheres.
Vinheta de abertura do programa "Viva Maria" de 12 de fevereiro de 1998. Em destaque a morte do maestro Radamés Gnattali.
Na década de 80, a Rádio Nacional de Brasília
também lançou programação infantil. O programa Encontro
com a Tia Heleninha buscava estimular a imaginação das crianças através da
apresentação de músicas infantis, contação de histórias e apresentação de
quadros de caráter educativo. O programa era apresentado por Heleninha Bortone,
que ficou conhecida entre os ouvintes como Tia Leninha.
Acompanhe trecho do programa "Encontro com a Tia Leninha" veiculado pela Rádio Nacional de Brasília nos anos 80. O programa marcou época e fez história. Essa gravação é apresnetada sem a edição, antes do programa ir ao ar, ou seja aparece até mesmo a contagem regressiva da locutora antes de inicar a gravação.
No final da década de 80, com a fusão da Empresa
Brasileira de Noticias com a Radiobrás, a Rádio nacional de Brasilia passa por
um grande impulso na área de jornalismo. A emissora
passa a ser a geradora da Voz do Brasil, considerado pelo Guines Book, o
programa mais antigo da América Latina.
Na década de 90, a emissora vive o seu melhor período em
audiência. Começam as transmissões via satélite e, na Copa do Mundo de 94, mais
de mil emissoras retransmitem os jogos em rede. Em 1997 a Rádio Nacional de
Brasília se torna uma das primeiras emissoras do país a implantar o serviço de
0800 para atendimento dos ouvintes.
O século XXI começa na Rádio Nacional de Brasília com importantes
mudanças, a sua sede passa para a Asa Norte, no Plano Piloto,
Brasília - DF. Em 2004 a emissora começa a implantar um novo modelo de
radiodifusão pública, com uma nova linha editorial, voltando seu conteúdo para
o interesse do cidadão. No ano seguinte as mudanças ocorrem na grade de
programação, o Jornal Nacional passa a ser transmitido em novo horário, e são
lançados novos programas como Cotidiano e Espaço Arte. O jornalismo passa a ter
participação mais efetiva na programação.
O conteúdo jornalístico da emissora volta a passar por transformações em 2006, as transmissões das jornadas esportivas são suspensas. Entra no ar o programa Notícias da Manhã, transmitido de 6h às 8h da manhã, substituindo o Jornal Nacional, e que em 2009 dar lugar ao Repórter Brasil. Este jornal é elaborado também com a equipe multimídia de jornalismo.
Em 2007 a Rádio
Nacional estréia um programa de agricultura, o Brasil Rural, que inicialmente ia ao ar nas manhãs de
sábado e domingo, atualmente o programa vai ao ar todos os dias da semana. A programação de final de semana volta a ser transmitida ao
vivo, mantendo gravações apenas de produções especiais ou de parcerias. A
interação com as demais emissoras Nacional aumenta, e programas produzidos pela
Rádio Nacional do Rio de Janeiro são transmitidos também pela Nacional de
Brasília. Ela também intensifica o compartilhamento de entrevistas com a
Nacional da Amazônia.
Em 2008 ao completar 50 anos a Rádio Nacional volta a passar por
transformação, dessa vez a Radiobrás, órgão do governo Federal criado durante o
Regime Militar para gerenciar as emissoras públicas é extinto e a
emissora a entregar a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). As comemorações de
aniversário é marcada pela criação de um hotsit que conta parte da história da
Nacional de Brasília e por uma festa em homenagem aos pioneiros.
Já em abril de 2009 começou a ser transmitido o programa
Cidade 980, com noticiário sobre o DF e o entorno, o programa é produzido por
uma equipe de repórteres dedicados a investigar as principais questões do
dia-a-dia do brasiliense, como trânsito, moradia, segurança, saúde e educação.
Ao longo de 54 anos, a Rádio Nacional de Brasília
acompanha o crescimento da cidade, dar voz e espaço aos músicos locais, cobriu
mudanças de governos, período militar, redemocratização, constituinte e
manifestações populares. E assim integra o Brasil com música e informação.
Editorial de abertura do programa Tarde Nacional em 31 de maio de 2012. O locutor Luciano Barroso apresentou um editorial nas comemorações de 54 anos da Rádio Nacional de Brasilia. O editorial rememora o papel da emissora ao longo das quase quatro décadas e meias de história.






