8 de novembro de 2018

Morre Raimunda Quebradeira de Cocos, grande liderança feminina do Tocantins

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Porta  voz da luta dos trabalhadores e trabalhadoras rurais da região do Bico do Papagaio, Dona Raimunda conquistou o mundo. Foto: Governo do Tocantins. S/D.


Raimunda Gomes da Silva ou simplesmente Raimunda Quebradeira de Cocos, faleceu aos 78 anos, nesta quarta-feira, 07. Moradora da comunidade Sete Barracas, em São Miguel do Tocantins, no Bico do Papagaio - divisa entre Pará, Tocantins e Maranhão. Porta voz das quebradeiras de coco, dona Raimunda era a síntese das vozes que não se calam diante das injustiças dos poderosos.  Filha de lavradores do sertão maranhense, em suas rugas elas carregava as marcas de uma mulher de luta, mãe de sete filhos, sendo um adotado, casada, descasada, casada novamente, aposentada, despachada.
Xote das Quebradeira, música transformada em um verdadeiro hino das quebradeiras de coco babaçu.  

Ao som do Xote das Quebradeiras, música que ela gravou em um CD em homenagem à Chico Mendes, Dona Raimunda ganhou mundo. Entoou esse hino ao babaçu na Conferência da Mulher na China, em 1995. Lá ela também conquistou um chapéuzinho chinês e pôs-se a fazer repente nos corredores: "Vou-me embora dessa terra/ Que aqui não volto mais/ Que essa terra é longe demais". Mas foi através do rádio, especialmente da Rádio Nacional da Amazônia e dos programas ancorados pela jornalista Mara Régia que ela ganhou o coração das mulheres do Brasil e da Amazônia que, inclusive, fizeram dela uma espécie de consultora sentimental para assuntos ligados à saúde reprodutiva e à sexualidade.

Entre as muitas participações de Dona Raimunda nos programas de Mara Régia, pela Rádio Nacional da Amazônia, segue  gravação de 23  julho de 1999,  antevéspera das comemorações do Dia do Trabalhador Rural. Mara Régia, por telefone, entrevistou Dona Raimunda, que se encontrava em Brasília realizando tratamento de saúde. Ela deixou sua mensagem para os trabalhadores e trabalhadoras rurais e convocou eles para continuarem mobilizados na luta por seus direitos. 

Natural de Curralinho, interior do Maranhão, onde nasceu em 1940, ela veio, com os sete filhos, para Sete Barras, no Tocantins, onde o irmão possuía um pedaço de terra, em 1979. No local, ela encontrou 52 famílias, amedrontadas e ameaçadas por grileiros e assim, com seu canto e sua voz Dona Raimunda começou a denunciar as condições perversas de quem trabalhava com a terra. Antes de vir para o Tocantins,  ela disse “não” ao machismo urbano. Recebia propostas de homens mais velhos, que prometiam casa e conforto caso ela se tornasse sua amante. Sem perder o humor, seguiu na árdua lida diária para dar de comer aos seis filhos pequenos.


Em 1983, um novo padre, Josimo Tavares, chegou a São Miguel e junto com ele, a militância de Raimunda ganhou mais força. Com constantes ameaças de morte direcionada ao padre, que acabou assassinado em 1986, ela começou a ganhar mundo denunciando e atuando na defesa das mulheres e dos direitos dos trabalhadores. Em 1988, participou da criação da Federação dos Trabalhadores Rurais do Tocantins. Começou também a militar pelos direitos das quebradeiras de coco babaçu.  Com algumas companheiras, Raimunda organizou, em 1992, a Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (ASMUBIP). Começaram a promover encontros para discutir direitos – primeiro nos municípios mais próximos e, em seguida, nos estados vizinhos. Participaram, então, da fundação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), que atinge os estados do Tocantins, Maranhão, Pará e Piauí. 


Pela sua atuação, recebeu muitas ameaças de morte e enfrentou policiais, fazendeiros e políticos na briga por terra. Ajudou a criar a Secretaria da Mulher Extrativista do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), da qual foi titular por dez anos. Mas o reconhecimento só viria anos mais tarde, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Tocantins e prêmios como o Diploma Mulher-Cidadã Guilhermina Ribeira da Silva (Assembleia Legislativa do Tocantins) e o Diploma Bertha Lutz (Senado Federal).


No início da noite desta quarta-feira, 07, enfrentando a diabetes e quase cega, o último desejo de Dona Raimunda se cumpriu: “Eu não quero morrer matada, quero morrer na cama”. Que a ausência física de Dona Raimunda se transforme em inspiração de valentia, força e luta por um país mais justo, para os trabalhadores e trabalhadoras rurais. O céu está mais feminino, e Dona Raimunda, certamente, foi recebida por suas companheiras e companheiros, como o seu fiel amigo Pe. Josimo Tavares.


19 de abril de 2018

Em 2005 spots veiculados pela Rádio Nacional da Amazônia lembraram tradições indígenas

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Ninawa Kaxinawa é um líder indígena do povo Huni Kuin do estado do Acre e foi ao programa Amazônia Brasileira, da Rádio Nacional da Amazônia, representando as demais lideranças do movimento Abril Indígena (Bruna Ramos / Portal EBC, 2013). 


Em 2005, em função da passagem do Dia do Índio, comemorado em 19 de abril, a Rádio Nacional da Amazônia levou ao ar a campanha Abril Indígena, que veiculou na programação da emissora uma serie de spots sobre as tradições indígenas e suas influências na sociedade envolvente (forma como os indígenas tratam os não índios).

O anseio de colonizadores em ocupar, escravizar e saquear as riquezas naturais do novo continente fez com que se implementasse uma política de extermínio e de escravização dos povos que aqui viviam.  Desse modo, foram firmadas as bases da nação brasileira, dominando, pela força, as terras indígenas e suas riquezas naturais, exterminando muitos povos e submetendo outros a formas de viver que eram estranhas a eles.

A Declaração Solene dos Povos Indígenas, escrita em 1975, na cidade de Porto Alberni, e veiculado no primeiro spot da série revela esta verdade:

Quando a terra-mãe era nosso alimento,
quando a noite escura formava o nosso teto,
quando o céu e a lua eram nossos pais,
quando todos éramos irmãos e irmãs,
quando nossos caciques e anciãos eram grande líderes,
quando a justiça dirigia a lei e a sua execução,
aí outras civilizações chegaram!
Com fome de sangue, de ouro, de terra e de todas as riquezas,
trazendo numa mão a cruz e na outra a espada, sem conhecer
ou querer aprender os costumes de nossos povos, nos classificaram
abaixo dos animais, roubaram nossas terras e nos levaram
para longe delas, transformando em escravos os filhos do sol.
Entretanto não puderam nos eliminar e
nem nos fazer esquecer o que somos...
E mesmo que nosso universo inteiro seja destruído
nós sobreviveremos por mais tempo que o império da morte!


Rádio Nacional da Amazônia - SPOT ABRIL INDÍGENA (abril de 2005)

1 de setembro de 2017

Programas pioneiros continuam fazendo história na Rádio Nacional da Amazônia

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O quinto capitulo do radiodocumentário Memória Nacional, Rádio Nacional da Amazônia 40 anos conta a história de programas pioneiros da emissora e que estão no ar até hoje. Destaque para os programas Ponto de Encontro, Falando Francamente e Natureza Viva. Para lembrar desses programas vamos ouvir Sula Sevilles, Artemisa Azevedo e Mara Régia, pioneiras nos microfones da Rádio Nacional da Amazônia.


“PIONEIROS NO AR”


Radiodoc Memória Nacional - Pioneiros no Ar (2017)
Atualmente, a programação da Rádio Nacional da Amazônia entra no ar ás 5h da manhã, com o programa Bom Dia Amazônia, que no inicio da década de 1980 chegou a ser apresentado pela primeira superintendente da emissora, Rita Furtado.

Mesmo com todas as transformações pelas quais a rádio passou ao longo dos anos, alguns programas são clássicos e continuam no ar até hoje, e desempenham importante papel social.
 
Sula Sevillis  locutora do programa Ponto de Encontro no ar desde de 1985, é uma das maiores audiências da Rádio Nacional da Amazônia.
O Ponto de Encontro, levado ao ar pela primeira vez em março de 1985, é um dos maiores sucesso da emissora. O programa atende uma média de 600 ligações por mês, além de cartas e recados por e-mail. O programa coleciona uma série de histórias com final feliz: casamentos, novas amizades e reencontros emocionantes!

Outro grande sucesso da emissora é o programa Falando Francamente, que está no ar desde o dia 03 de junho de 1990. Quando estreou o  programa contava com a apresentação de Carlos Moreira e Artemisa Azevedo. 
O Falando Francamente é referência na abordagem de temas como saúde, saneamento básico e previdência.  O programa também transmite as radionovelas que são a marca da emissora.

Quando o assunto é meio ambiente, logo aparece o programa Natureza Viva, que também esta no ar desde o início da década de 1990.  Após a realização da ECO-92 no Rio de Janeiro, o programa foi reformulado e se consolidou como grande sucesso na programação da Rádio Nacional da Amazônia e emissoras comunitárias à partir de 29 de maio de 1993.

O primeiro núcleo de radiojornalismo, da Rádio Nacional da Amazônia foi criado em 1979, com Clair Cossetin, Elizabel Ferriche e Aranha Araújo, mas o primeiro rádiojornal produzido pela emissora, com informações exclusiva para Amazônia foi o Jornal da Amazônia, levado ao ar pela primeira vez em 14 de junho de 2004.

Com uma programação diversa, que vai do jornalismo ao radiodrama, a Rádio Nacional da Amazônia se consolidou como um canal de expressão para população da região amazônica. A história da emissora se confunde com a relação que ela estabeleceu com os ouvintes ao longo dos anos.
 

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