31 de maio de 2012

Rádio Nacional de Brasília Completa 54 Anos

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      Era 31 de maio de 1958, quando o presidente Juscelino Kubitschek subiu em um palanque, para proferir o seu discurso de inauguração da Rádio Nacional de Brasília em um barracão improvisado na quadra 107 Sul.  Os candangos que trabalhavam na construção da Capital Federal deram uma pausa nas obras para ouvir o presidente e participarem da festa. 

     Das vertentes amazônicas às coxilhas gaúchas, e dos contrafortes andinos ao litoral atlântico, Brasília fará ouvir a sua voz, a partir deste momento, graças aos possantes transmissores da Rádio Nacional, que ora inauguramos. Milhões de lares disseminados nos recônditos recessos do nosso território participarão, assim, de ora em diante, da presença física e da convivência de Brasília, e reconhecerão a fisionomia familiar desta metrópole. Na mensagem diária da tenacidade e do arrôjo dos que estão travando esta grande batalha patriótica no Planalto Central, brasileiros de todos os quadrantes recolherão o eco das emissões cotidianas da Rádio Nacional de Brasília, como um apêlo ao seu patriotismo e ao seu entusiasmo cívico. (Juscelino Kubitschek, 31/05/1968)
Após o discurso, no final da tarde, a festa continuou com um show com cantores como Dóris Monteiro, Lana Bittencourt, essa havia emplacado a música Little Darlin, Ângela Maria, Altemar Dutra, Nelson Gonçalves, Grande Otelo, Pixinguinha, João Dias, Cauby Peixoto, Carlos Galhardo e os apresentadores da Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

Quando a Rádio Nacional foi inaugurada, Brasília ainda era um imenso canteiro de obras, e através dela JK esperava prestar contas da construção da cidade, muito criticada na época. Além de divulgara a construção da capital a primeira emissora a falar de Brasília para o Brasil estabelecia o contato das pessoas que tinham ido participar da concretização do projeto de Lucio Costa e Oscar Niemeyer com os seus familiares que haviam ficado em diferentes regiões do país, em especial no Nordeste. Um dos locutores da emissora na época, Clementino Luz, escrevia e lia as cartas dos candangos.

Caminhão leva candangos para canteiros de obras de Brasília.  Foto: Mário Fontenelle/Arquivo Museu Vivo da Memória Candanga

         A vida cultural e o lazer dos candangos eram os auto-falantes na Cidade Livre, que funcionava com o que levava o nome de a Voz de Brasília, uma reminiscência ao programa Voz do Brasil. Anunciavam a chegada dos candangos para trabalhar nas obras e a vagas disponíveis nas diferentes setores da construção da nova capital. Além dos auto-falantes existia os circos do coronel Jorginho Suaid, do Sabuginho, do Cacareco e do Dino Santana. Com a Rádio Nacional, Brasília passou a ouvir e falar para o Brasil.

Capa do Jornal Diário da Noite
           A Rádio Nacional de Brasília já começou com o desafio de transmitir a Copa do Mundo de 1958, dentre os locutores que transmitiram a copa estava Oswaldo Moreira. Enquanto na Suécia a seleção conquistava o primeiro título mundial, com Garrincha, Vavá, Pelé e Zagalo, em Brasília e em boa parte do interior do país os brasileiros estavam sintonizados na emissora. Dentre os ouvintes estava o presidente Juscelino Kubitschek que ajudava a fazer a audiência. 

            Outro nome que trabalhou na Rádio Nacional logo no inicio foi o médico Edson Porto,  que chegou em Brasília em 1956 e em 1958 fez parte da orquestra da emissora, tocando violino e bandolim, e apresentou um programa com dicas sobre saúde e alimentação. 

            Em 1959 a programação da Nacional estava estruturada em transmissões de noticias sobre a construção de Brasília, programação musical, radioteatro e prestação de serviço. Nesse ano estreou o Programa do Meira, apresentado por Meira Filho, durante 15 anos o programa foi sucesso no horário das 5h da madrugada e às 9h da manhã. O Programa do Meira se destacava na prestação de serviço para os candangos e as famílias que havia ficado em sua terra natal. Meira chegou em Brasília convidado por Juscelino Kubitschek para conhecer a contrução da nova capital e ficou, e ainda se firmou como um dos maiores nomes da radiofonia brasiliense.

            Em 1960, com a inauguração de Brasília, a Rádio Nacional começou a funcionar no prédio da 701 Sul, no Setor de Rádio e TV e passa a formar rede com a Rádio Nacional do Rio de Janeiro. 

            Em 1961 Mascarenhas de Moraes é contratado pela Rádio Nacional para ocupar o cargo de operador, antes já havia passado pelos programas da emissora como calouro dos programas de auditório que na época faziam sucesso. Mascarenhas passa por todas departamento artístico da Rádio Nacional e se torna locutor. De Meira Filho recebeu o codinome de embaixador de Goiás, estado onde nasceu.

          O palco da Nacional também revelou talentos candangos. Assim como a Rádio Nacional do Rio, a emissora tinha um elenco contratado, para apresentações musicais e radionovelas. Os primeiros cantores contratados foram Glória Maria e Fernando Lopes.

         Já nos primeiros anos, a Rádio Nacional teve que enfrentar o desafio de fazer jornalismo público em tempo de governo militar. Ainda em 1961, a emissora chegou a fazer parte da rede da legalidade, transmitindo discursos do então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, em favor de João Goulart. Nessa época estava integrado a emissora o locutor Clemente Drago, uma das vozes mais marcantes do rádio brasileiro.
Ouça a jingle "Minha Voz" gravada por  Clemente Drago, o jingle traduz o sentimento da Rádio Nacional de Brasília com os ouvintes.

Apresentador da Rádio Nacional de Brasília (AM), Gilvan Chaves, em show promovido pela Rádio Nacional de Brasília (AM), em 1982, no Estádio Serejão
          Com música e informação, o cantor e apresentador Gilvan Chaves fez parte da equipe que inovou a Rádio Nacional de Brasília na década de 60. O Eu de cá, Você de lá, um dos programas apresentados por Gilvan Chaves, continua no ar. Agora é apresentador pelo locutor Luiz Alberto.
Ouça a chamada do Programa Especial apresentado por Gilvan Chaves na Rádio Nacional no final das manhãs de domingo, nos anos 70. Na  edição em destaque a voz de Nelson Gonçalves que participaria do programa.

              Em 1974 , com inauguração do Parque do Rodeador, a  Rádio Nacional passa a transmitir sua programação com 600 kw de potência e pode ser sintonizada à noite em todo o Brasil.
              Nas décadas de 70 e 80, o Parada Nacional foi um programa famoso. Apresentado por Edson Vitorino o Parada Nacional trazia para os ouvintes de Brasília músicas de todo o Brasil. Com correspondentes na maior parte dos estados brasileiros, eles indicavam o que estava fazendo sucesso no que tange ao cenário musical da época.
Ouça a vinheta de abertura do programa Parada Nacional veiculada na Rádio Nacional de Brasília nos anos 80. 
Mara Régia di Perna, locutora do programa Viva Maria, 1982

             Em 1981 a Rádio Nacional de Brasília colocou no ar o programa Viva Maria, apresentado desde o início pela radialista Mara Régia de Perna. O programa é considerado pioneiro nas discussões de gênero no Brasil, no período a Constituinte de 1988, o programa esteve amplamente integrado ao movimento de mulheres no Congresso Nacional. No ar à 30 anos, o programa Viva Maria virou programete e é espaço fundamental na defesa dos direitos da mulheres.

         Conheça a trajetória do programa Viva Maria através da leitura do artigo Viva Maria - o pionerismo nas discussões de gênero e o resgate das conquistas das mulheres. 
Vinheta de abertura do programa "Viva Maria" de 12 de fevereiro de 1998. Em destaque a morte do maestro Radamés Gnattali.  
            Na década de 80, a Rádio Nacional de Brasília também lançou programação infantil. O programa Encontro com a Tia Heleninha buscava estimular a imaginação das crianças através da apresentação de músicas infantis, contação de histórias e apresentação de quadros de caráter educativo. O programa era apresentado por Heleninha Bortone, que ficou conhecida entre os ouvintes como Tia Leninha.
Acompanhe trecho do programa "Encontro com a Tia Leninha" veiculado pela Rádio Nacional de Brasília nos anos 80. O programa marcou época e fez história. Essa gravação é apresnetada sem a edição, antes do programa ir ao ar, ou seja aparece até mesmo a contagem regressiva da locutora antes de inicar a gravação. 

               No final da década de 80, com a fusão da Empresa Brasileira de Noticias com a Radiobrás, a Rádio nacional de Brasilia passa por um grande impulso na área de jornalismo. A emissora passa a ser a geradora da Voz do Brasil, considerado pelo Guines Book, o programa mais antigo da América Latina.

   Na década de 90, a emissora vive o seu melhor período em audiência. Começam as transmissões via satélite e, na Copa do Mundo de 94, mais de mil emissoras retransmitem os jogos em rede. Em 1997 a Rádio Nacional de Brasília se torna uma das primeiras emissoras do país a implantar o serviço de 0800 para atendimento dos ouvintes. 

              O século XXI começa na Rádio Nacional de Brasília com importantes mudanças, a sua sede passa para a Asa Norte, no Plano Piloto, Brasília - DF. Em 2004 a emissora começa a implantar um novo modelo de radiodifusão pública, com uma nova linha editorial, voltando seu conteúdo para o interesse do cidadão. No ano seguinte as mudanças ocorrem na grade de programação, o Jornal Nacional passa a ser transmitido em novo horário, e são lançados novos programas como Cotidiano e Espaço Arte. O jornalismo passa a ter participação mais efetiva na programação.

              O conteúdo jornalístico da emissora volta a passar por transformações em 2006,
as transmissões das jornadas esportivas são suspensas. Entra no ar o programa Notícias da Manhã, transmitido de 6h às 8h da manhã,  substituindo o Jornal Nacional,  e que em 2009 dar lugar ao Repórter Brasil. Este jornal é elaborado também com a equipe multimídia de jornalismo.

              Em 2007 a Rádio Nacional estréia um programa de agricultura, o Brasil Rural, que inicialmente ia ao ar nas manhãs de sábado e domingo, atualmente o programa vai ao ar todos os dias da semana. A programação de final de semana volta a ser transmitida ao vivo, mantendo gravações apenas de produções especiais ou de parcerias.  A interação com as demais emissoras Nacional aumenta, e programas produzidos pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro são transmitidos também pela Nacional de Brasília. Ela também intensifica o compartilhamento de entrevistas com a Nacional da Amazônia.

              Em 2008 ao completar 50 anos a Rádio Nacional volta a passar por transformação, dessa vez a Radiobrás, órgão do governo Federal criado durante o Regime Militar para gerenciar as emissoras públicas é extinto e a emissora a entregar a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). As comemorações de aniversário é marcada pela criação de um hotsit que conta parte da história da Nacional de Brasília e por uma festa em homenagem aos pioneiros.

            Já em abril de 2009 começou a ser transmitido o programa Cidade 980, com noticiário sobre o DF e o entorno, o programa é produzido por uma equipe de repórteres dedicados a investigar as principais questões do dia-a-dia do brasiliense, como trânsito, moradia, segurança, saúde e educação.

             Ao longo de 54 anos, a Rádio Nacional de Brasília acompanha o crescimento da cidade, dar voz e espaço aos músicos locais, cobriu mudanças de governos, período militar, redemocratização, constituinte e manifestações populares. E assim integra o Brasil com música e informação.
Editorial de abertura do programa Tarde Nacional em 31 de maio de 2012. O locutor  Luciano Barroso apresentou um editorial nas comemorações de 54 anos da Rádio Nacional de Brasilia. O editorial rememora o papel da emissora ao longo das quase quatro décadas e meias de história.


29 de fevereiro de 2012

Há 77 anos o céu “abria alas” para Chiquinha Gonzaga

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A cantora e instrumentista Chiquinha Gonzaga
   
   Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, compositora, pianista e regente brasileira. Nasceu no Rio de Janeiro em 17 de outubro de 1847 e faleceu em 28 de fevereiro de 1935.
   Foi a primeira chorona, primeira pianista de choro, autora da primeira marcha carnavalesca (Ô Abre Alas, 1899) e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.
   Uma batalhadora. Assim pode ser descrita Chiquinha Gonzaga. Em pleno século XIX, ela se separou do marido, foi expulsa de casa com um filho para criar e levou em frente o sonho de ser compositora.
   Após entrar no mundo musical do Rio de Janeiro, ela compôs, em 1877, seu primeiro sucesso, a polca Atraente. Já no começo do século XX, mostrando mais uma vez que estava à frente de seu tempo, Chiquinha Gonzaga brigou pela legalização dos direitos autorais, algo que só se tornou realidade em 1916, com a aprovação da lei 3.071.
  Chiquinha participou ativamente da campanha abolicionista, por conta da revolta que sentia por seus ancestrais maternos terem sido escravos e sofrido muito, e da proclamação da república do Brasil. Também foi a fundadora da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Ao todo, compôs músicas para 77 peças teatrais, tendo sido autora de cerca de duas mil composições em gêneros variados: valsas, polcas, tangos, lundus, maxixes, fados, quadrilhas, mazurcas, choros e serenatas.
   Chiquinha Gonzaga já foi retratada como personagem no cinema e na televisão. Dirigida por Jayme Monjardim, na minissérie Chiquinha Gonzaga (1999), na TV Globo, foi interpretada por Regina Duarte e Gabriela Duarte. No cinema, foi interpretada por Bete Mendes, no filme "Brasília 18%" (2006), dirigido por Nelson Pereira dos Santos, e por Malu Galli, no filme O Xangô de Baker Sreet, baseado no livro homônimo de Jô Soares.
   A compositora também foi homenageada no carnaval carioca, no ano de 1985, com o enredo Abram alas que eu quero passar pela escola de samba Mangueira, que obteve a sétima colocação. E em 1997, com enredo Eu Sou Da Lira, Não Posso Negar... pela Imperatriz Leopoldinense. A atriz Rosamaria Murtinho, que vivia a artista no teatro, representou-a no desfile, a escola obteve a sexta colocação.

   A edição do dia 24 outubro de 2010 do programa Encontro com o Chorinho, veiculado pela Rádio Educadora FM, da Bahia, prestou uma bela homenagem a Chiquinha Gonzaga. O programa conta suas histórias e apresenta algumas de suas maravilhosas composições.

30 de janeiro de 2012

Herivelto Martins – uma canção em tom maior

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Nilo Chagas, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins no Trio de Ouro
Herivelto Martins, Dalva de Oliveira, Dorival Caymmi e Nilo Chagas

   
   No dia 30 de janeiro de 1912, nasceu Herivelto de Oliveira Martins, na cidade seu pai fundou a Sociedade Dramática Dançante Carnavalesca Florescente de Barra do Piraí. As atividades artitisticas incentivaram Herivelto e os irmãos a criarem um grupo teatral. 
   Aos 9 anos de idade, compôs a paródia Quero Uma Mulher Bem Nua (Quiero una mujer desnuda) e o samba Nunca Mais, que não foi gravado.
   Aos 10 anos começou a aprender música na Sociedade Musical União dos Artistas, de Barra do Piraí. Aos 18 aos de idade após uma discurssão com o pai, Herivelto saiu de casa e foi morar no Rio de Janeiro, com o desejo de tentar uma carreira artistica.
   Em 1932, Herivelto Martins, em parceria com J.B. de Carvalho, conseguiu lançar, pela RCA Victor, sua composição Da Cor do Meu Violão. A marchinha fez grande sucesso no carnaval daquele ano, o que levou Herivelto a integrar o coro do Conjunto Tupi como ritmista. Ele inovou ao fazer breques durante as gravações, quando isso não era permitido, e por essa e outras iniciativas, Mister Evans, diretor geral da RCA Victor, o promoveu a diretor do coro.
   Em 1933, Herivelto teve mais duas músicas gravadas: O Terço do Zé Faustino, com Euclides Moreira, pelo Conjunto Tupi, e O Enterro da Filomena, pelo Conjunto RCA.
   Em uma época em que o samba ainda não havia descido o morro e ganhado a cidade, Herivelto criou várias músicas para homenagear a Estação Primeira de Mangueira, entre elas: Saudosa Mangueira e Lá em Mangueira.
  Em 1986, Herivelto Martins foi homenageado pela escola de samba Unidos da Ponte, com o enredo Tá na hora do samba, que fala mais alto, que fala primeiro, o homenageado participou do desfile.
   Em 1932, Herivelto Martins conheceu Francisco Sena, seu colega no Conjunto Tupi, e com ele começou a ensaiar algumas canções, entre as quais a música Preto e Branco. No ano seguinte, o Teatro Odeon estava em busca de um grupo que pudesse se apresentar nos intervalos das sessões. O Conjunto Tupi se apresentou e não foi aprovado. A convite de Vicente Marzulo, Herivelto e Francisco fizeram o teste, em dueto, chamando a atenção de todos. Foram contratados. o nome da Dupla, O Preto e O Branco, foi dado por Marzulo. Herivelto passou a compor para a dupla.
   Em 1935, no Cine Pátria, Herivelto conheceu Dalva de Oliveira e passaram a cantar em dueto. Iniciaram um namoro e, no ano seguinte, iniciaram uma convivência conjugal, oficializada em 1939 num ritual de umbanda, que gerou os filhos Pery Ribeiro e Ubiratan de Oliveira Martins. A União durou até 1947, quando as constantes brigas e traições da parte dele deram fim ao casamento.
   Em 1949, após a separação oficial do casal e o final da primeira formação do Trio de Ouro, Herivelto e Dalva iniciaram uma discussão, inclusive através das composições que ironicamente contribuíram para um grande duelo entre os compositores e intérpretes da época.
   Por causa da briga conjugal, que se tornou pública, houve uma racha no meio artístico. Ao lado de Herivelto, ficaram Lupicínio Rodrigues ("Vingança"), Nelson Cavaquinho ("Palhaço") e Wilson Batista ("Calúnia)". Com Dalva, Ataulfo Alves ("Errei, Sim"), Marino Pinto e Mário Rossi ("Abajur Lilás") e Heitor dos Prazeres ("Tudo Acabado"). Acaram todos fazendo sucesso e se divertindo por causa dos tabefes musicais trocados pelo casal. O Trio de Ouro seguiu com outras formações até terminar em 1957.
   O compositor passou a se apresentar em alguns festivais e a dirigir grupos de sambas. Em 1971 foi eleito presidente do Sindicato de Compositores do Rio de Janeiro, mas foi impedido pela ditadura militar de tomar posse, acusado de subversivo. 
   Em 1992, alguns meses antes de sua morte, foi lançada a biografia "Herivelto Martins: uma escola de samba" (Ensaio Editora), dos jornalistas Jonas Vieira e Natalício Norberto. 

Arquivos Sonoros: 

Acompanhe o programa Audição do Trio de Ouro veiculado pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro, em 25 de junho de 1951, com narração de J. Silvestre, locução comercial de Arnaldo Nogueira, produção de Francisco Veiga. O Trio de Ouro em sua segunda fase era composto por Herivelto, Nilo Chagas e Noemi Cavalcante. Nesse programa exclusivo do grupo, na Rádio Tupi, as apresentações aconteciam ao vivo com o acompanhamento da orquestra Tupi e Carioca sob a regência do maestro Lauro Araújo. São apresentados os seguintes números musicais: Adeus priminha - Felicidade - Fiz a cama na varanda - Prenda minha - Toada gaúcha - Pot-pourri: O mar - É doce morrer no mar - Promessa de pescador- Pescaria - Lagoa do Abaeté e Marina - Dora - Vida vazia).  
  
No programa Eu sou assim, um retrato sem retoque de gente que a gente conhece, durante uma hora, o produtor Mário Morel entrevistava um nome importante no cenário nacional e tocava suas músicas preferidas, na Rádio MEC/AM. Na edição de 18 de setembro de 1991, o entrevistado foi Herivelto Martins. O compositor estava com 80 anos na época e contou um pouco da sua história e da sua arte. Entre as canções escolhidas pelo artista estão duas composições próprias: Isaura, na voz de João Gilberto, e Ave Maria no Morro, com o Trio de Ouro. 
 
Dentro das comemorações dos 100 anos de Herivelto Martins, o programa Roda de Samba, da Rádio Nacional de Brasília FM, no dia 28 de janeiro de 2012 lembrou alguns dos mais importantes fatos que marcaram a história do cantor e compositor. Durante o programa são veiculadas músicas na voz de Herivelto Martins e algumas de suas composições interpretadas por outros artistas. O Roda de Samba é apresentado por Fátima de Mello, com a sonoplastia de Messias Mello e produção e edição de Eloíza Fernandes. 
 

O Trabuco – um século de Vicente Leporace

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O Trabuco, Vicente Leporace

   No dia 26 de janeiro de 1912, nasceu em São Tomás de Aquino, no interior de Minas Gerais, o “Trabuco” Vicente Leporace. Sessenta e seis anos depois o povo brasileiro perdia a voz que gritava pela causa popular nos microfones da Rádio Bandeirantes, Leporace faleceu em São Paulo no dia 16 de abril de 1978. Foi locutor, programador, discotecário, ator e apresentador de TV.
   Ainda na infância mudou com a família para a cidade de Franca no interior paulista. Já na adolescência participou da Revolução de 1932. Começou sua carreira artística em 1941, na rádio Clube Hertz de Franca, a convite de Blota Júnior. Passou pelas rádio Atlântica de Santos; Rádios Mayrink Veiga (RJ); Cruzeiro do Sul (SP); Record (SP) e Bandeirantes (SP).
   Na Rádio Record - PRB-9, de São Paulo, lançou em 1º de abril de 1951, o programa jornalístico "Jornal da Manhã", ele redigia e apresentava o programa. 
   Na TV Record - canal 7, nos anos 50, apresentou o programa "Gincana Kibon", junto com Clarice Amaral. O programa apresentado ao vivo divulgava apresentações de crianças que frequentavam escolinhas de Ballet, Conservatórios, etc. Em cada edição do programa era sorteado um aniversariante para comemorar a data com bolo gelado da Kibon.
   Também foi ator. Estreou no cinema em 1947 no filme "Luar do Sertão" e participou de muitos outros, como: “A Vida é uma Gargalhada (1950), "Sai da Frente” (1952), “É Proibido Beijar” (1954), "Carnaval em Lá Maior" (1955), "O gigante, a hora e a vez do cinegrafista" (1971).
   Em 1969 na TV Bandeirantes (Band), canal 13 de São Paulo, apresentou o jornal Titulares da Notícia, ao lado de Maurício Loureiro Gama, José Paulo de Andrade, Murilo Antunes Alves, Lourdes Rocha e outros. 

O Trabuco

   Em 1962 Vicente Leporace passou a integrar a equipe de radiojornalismo da Rádio Bandeirantes - PRH-9 de São Paulo, onde estreou o programa "O Trabuco", levado ao ar das 8h às 9h da manhã, no qual comentava as noticias publicada nos jornais do dia, com uma dose de irônia e inteligência. Suas críticas irônicas, acabarm lhe renderam processos em quase todas as intâncias da justiça.
   Nos anos 60, durante o regime militar teve dezena de seus programas requisitados pela sensura da época. Um desses programas foi ao ar em 31 de agosto de 1968, por não constar nos registro da época qual foi a critica que levou o programa ser requisitado, subtende-se que, por Leporace criticar todas as áreas do governo e governantes, o conjunto que compõe o programa levou a requisição.
Acompanhe a abertura do programa, de 31 de agosto de 1968, em que Vicente Leporace fazia comentários gerais. O som sofre algumas oscilações, em função do programa ter sido transmitido ao vivo direto da casa do radialista, na Zona Norte de São Paulo, de onde Leporace muitas vezes fazia suas transmissões.
   “O Trabuco” tornou-se um símbolo da defesa dos oprimidos. Criticava acontecimentos  políticos e sociais, todos temiam e respeitavam, o que dizia Leporace. O programa permaneceu por dezesseis anos no ar, até sabádo, 15 de abril de 1978, quando Leporace se despediu dos ouvintes prometendo voltar na segunda-feira, mas foi vitimado por um ataque cardiaco e faleceu no dia seguinte.
   No ultimo programa, logo na abertura, em uma especie de sentimento premonitório Leporace falou de hipertensão e de infarto do miocárdio e da possibilidades de alguns políticos infaratarem na segunda-feira seguinte com o anuncio de quem seriam os próximos governadores, mas quem foi vitimado por um ataque cardiaco fuminante foi o Leporace. 
 Abertura e trecho  da ultima edição de “O Trabuco”, levado ao ar em 15 de abril de 1978.
   Para ocupara o espaço deixado por Leporace na programação da Rádio Bandeirante, em 18 de abril de 1978, foi levado ao ar um programa criado as preças, o  “Jornal Gente”.
   Nessa época outro nome fazia sucesso na Rádio Bandeirante, o locutor esportivo, Fiori de Gigliotti.  Antecedendo as transmissões esportivas, com um jeito bem próprio em seu Cantinho da Saudade, Fiori recordava a trajetória de antigos ídolos, que depois de conhecerem a glória ficaram pobres e esquecidos.  No primeiro Cantinho da Saudade, após retornar da Inglaterra, ainda em abril de 1978, Fiori prestou homenagem a Vicente Leporace, que havia falecido uma semana antes.
Cantinho da Saudade – Homenagem de Fiori de Gigliotti à Vicente Leporace (Abril de 1978)

20 de janeiro de 2012

Elis Regina - 30 anos de saudade

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Elis Regina, a Pimentinha da MPB
   Há 30 anos, no dia 19 de janeiro de 1982, a Música Popular Brasileira (MPB) perdia aquela que desafiava as notas altas com talento e foi uma estrela de máxima grandeza. Aos 36 anos, Elis Regina foi achada morta, trancada em seu quarto, onde tomara a derradeira dose de cocaína.
   Nascida em Porto Alegre, Elis Regina começou sua carreira aos 11 anos, em um programa de rádio para as crianças. Aos 16 lançou seu primeiro disco, mas foi na década de 60 que a cantora, de 1m53cm de altura, tornou-se a grande estrela como até hoje é lembrada, com uma presença de palco inconfundível: graças ao costume de mexer os braços e a emoção com que cantava, recebeu o apelido de Pimentinha.
   Em 1965, foi a grande revelação do festival da TV Excelsior em São Paulo, quando cantou Arrastão, música com a qual conquistou o Brasil e, no final da década, se lançou no exterior, conquistando o público europeu e tornando-se a primeira artista a se apresentar duas vezes no mesmo ano no Olympia, a mais antiga e famosa casa de espetáculos de Paris.
   Politicamente engajada, participou ativamente de movimentos contra à ditadura brasileira. Sua interpretação transformou a canção O Bêbado e a Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc, em hino da volta do exílio.
   Com seu sucesso, Elis impulsionou a carreira de iniciantes como Fagner, Ivan Lins, Milton Nascimento e João Bosco. Na década de 70 e início de 80 se consolidou-se como a maior cantora do Brasil e causou polêmica – foi nessa época que ela disse a famosa frase “Neste País só duas cantam, a Gal (Costa) e eu”.
   A morte da cantora brasileira provocou um choque nacional, a notícia circulou pela imprensa escrita, pelo rádio e pela televisão. A Rádio Jovem Pan noticiou as causas e a comoção popular do público no velório da cantora.
   Trechos de gravações da cobertura feita pela Rádio Jovem Pan no dia seguinte a morte da cantora Elis Regina. As gravações foram reapresentadas no programa Rádio ao Vivo, no Som Memória do Rádio, com locução de José Luiz Menegatti. 
 

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